A hipnose da mente
- Graciele Riesenbeck

- 3 de abr. de 2020
- 4 min de leitura
Atualizado: 23 de abr. de 2020
Segundo estudos, uma criança até os 7 anos aproximadamente, vive uma hipnose, ou seja, ela absorve tudo a sua volta sem julgamentos, crítica ou reflexão. Dessa forma ela não distingue certo ou errado por si só. A sua mente está aberta em branco e não questiona, apenas aceita, acredita e recebe como verdade tudo o que os cinco sentidos (audição, visão, olfato, paladar e tato) podem absorver e o que seus corpos sutis podem sentir. Pois abrindo aqui um parênteses, engane-se caso pense que o que você não fala seu filho não saiba que você está sentindo. As crianças sentem toda energia da casa, dos pais, do ambiente sem que ninguém diga nenhuma palavra. E isso também vai compondo a sua realidade que está sendo absorvida e experienciada até os 7 anos aproximadamente.
Analisando mais profundamente, vem o questionamento: Quanto de mim sou eu mesma? E quanto do que considero como verdades são realmente minhas verdades? De onde vem as coisas que eu julgo certo ou errado? De onde vem o que eu acredito ou deixo de acreditar? Isso é meu ou é o que o meio onde eu vivi e as pessoas com as quais eu convivi, quando criança, acreditavam como verdades e assim reproduziam isso, e eu, simplesmente absorvi e armazenei no meu inconsciente e hoje reflete na vida que eu vivo sem que eu me de por conta disso, e acabo por reproduzir, como em uma esteira de produção de uma fábrica, replicando o que cresci vendo e ouvindo ou sentindo.
E assim vão passando de geração em geração padrões inconscientes de comportamentos e crenças que vão nos moldando e formando da forma que somos hoje, sem nos dar conta. E deixamos de ser nós mesmos e fazer as mudanças necessárias quando a vida pede, por acreditar e não questionar as verdades com as quais crescemos. Continuando assim a hipnose e passando adiante a hipnose para as gerações futuras.
E por que é tão difícil perceber essas crenças que nos limitam a seguir um caminho próspero? Por que muitas vezes faço tudo que precisa e as coisas não dão certo? Por que guardado, lá na caixinha do cérebro, está algo que me foi passado como verdade e o meu ego não deixa questionar isso. Por que dói e incomoda ter que admitir que o que o ego(eu, meu nome e meu corpo terrestre) pensou uma vida inteira ser verdade e, que agora ele tem que soltar e aceitar que não é, e seguir adiante e se reconstruir.
É mais fácil ficar e se acomodar e continuar fazendo sempre as mesmas coisas, mas como a colheita é inevitável, vamos continuar tendo os mesmos resultados, é como uma conta de 2+2, se não mudamos os números , o resultado será sempre 4, não existe como acontecer algo diferente se continuamos fazendo sempre as mesmas coisas.
O mais difícil para o nosso ego é a aceitação, é uma sensação muito incomoda, ele grita, berra, esperneia, como uma criança as vezes, por que ele quer estar no comando e o orgulho não deixa olhar para as minhas profundezas e trazer para cima o que precisa ser olhado e curado, ou mudado, ou seja,
ressignificado (dar outro significado ao fato, olhar sob outro ângulo).
E, outro processo é descobrir o que está me impedindo de seguir, qual crença, sentimento, emoção, trauma, verdades, carrego comigo escondidos que eu não olho e não percebo e que me sabotam em tudo o que eu tento fazer. Pois usando aqui um exemplo superficial: se eu disser para uma criança, ou ela vivenciar no convívio com seus pais e familiares que a vida é dura e difícil, que pobre nasce e morre podre, que só é feliz quem tem dinheiro , ou que rico não presta. Ela tem isso como verdade, mesmo que hoje ela pense diferente, não vai adiantar, pois o seu inconsciente tem isso registrado. Ela vai ter dentro dela como verdade, que é preciso trabalhar muito para conseguir algo na vida, e mesmo que ela trabalhe muito, por ter nascido pobre nunca vai ser rico, por que além de ter nascido pobre, caso ela ganhe muito dinheiro, vai perder de alguma forma, pois ela não pode ser rica, por que os ricos não prestam. Entendem a lógica, é a mente da criança absorvendo sem questionar o que lhe é passada até os 7 anos de idade, e assim fica registrado em nós, mesmo que hoje pensamos diferente, é preciso mais do que pensar diferente, é preciso mexer nessa crença e isso que dói e incomoda, por que mexe com nosso ego e nossas verdades e temos que aceitar e recomeçar.
Cabe aqui uma reflexão aos pais: primeiro cuidado com o que falam para as crianças, principalmente sobre dinheiro, relacionamentos e religião, eles vão aceitar tudo como verdade e reproduzir na vida adulta, vão em busca de conhecimento caso queiram que seus filhos vivam uma realidade diferente daquela que vocês vivem hoje. Segundo, façam a sua transformação de vida e sejam aquilo que vocês querem que seus filhos sejam, pois provável que aquilo que vocês gostariam que seus filhos fossem é no fundo aquilo que vocês gostariam de ser e ter para vocês, os sonhos e projetos engavetados, esquecidos ou, por crenças limitantes acreditam não serem capazes ou merecedores.
Leia a continuação complementar no texto: “Eu sou aquilo que acredito ser”.
Graciele Riesenbeck
Aratiba, Fevereiro de 2020.








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